Parte II

Parte II

No início de junho, Bella fez o penúltimo hemograma da fase da manutenção. Assim que saiu o resultado, encaminhei para a Dra. Virgínia, que, como sempre nos parabenizou pelos resultados dentro do esperado.

No início de julho, mais precisamente no dia 6 de julho, Bella e eu entramos na contagem regressiva para o dia mais feliz de nossas vidas: o dia do último hemograma para apresentar no dia 09 de julho: a última consulta da manutenção. Finalmente conseguiríamos a alforria tão desejada, que permitia a ela, comer sashimis, mergulhar, patinar, fazer escaladas e outros esportes de impacto.

Mas um sangramento acima do normal e uma coloração diferente no rosto, denunciaram a recidiva da leucemia, que foi confirmada por uma mensagem via whatsapp da médica assistente.

Nesse mesmo dia, demos entrada na UTI pediátrica do hospital Brasília, o diagnóstico era anemia severa; poucas hemácias plaquetas baixíssimas e defesa muito alta. A pressa de começar o tratamento urgia, mas para viajar seriam necessárias 60 mil plaquetas, ou seja, teríamos que infundir 52 mil plaquetas, o equivalente a 3 ou 4 bolsas e aumentar consideravelmente o número de hemácias; 2 bolsas.

Feitas as transfusões e as malas, nosso destino era São Paulo, a terra da garoa.

Origem: UTI Hospital de Brasília (DF)

Via: Aeroporto Internacional de Brasília – Aeroporto Internacional de Guarulhos

Destino: UTI Hospital Santa Catarina (SP)

Meu tio-padrinho Carlos, nos auxiliou no processo burocrático da internação, que inacreditavelmente foi rápido dentro dos padrões candangos… o que levaria cerca de quatro horas a seis horas, foi feito em menos de uma hora.

Tão logo nos internamos, as drogas quimioterápicas, antibióticos e vermicida foram introduzidas em nossa rotina. Assim como aparelhos para verificar as funções vitais: eletrodos, oxímetro, termômetro, … Controle de diurese, controle de glicemia, controle disso, controle daquilo. Sem falar dos banhos; banho a quatro olhos! Isso quando não é feito na cama, a seis olhos e seis braços! A independência no tomar banho não tem preço, e quando isso acontece na adolescência, a sensação de ter sua privacidade violentada é gigantesca… Eu me pus no lugar da Bella e confesso que não me senti nada bem.

Saímos da UTI Pediátrica com a sensação de dever cumprido: sangue bom, alma fortalecida e garra, muita garra pela frente. Rumo à etapa II…

Sair da UTI foi uma libertação! Chegar na Pediatria foi um alívio, Bella já podia caminhar nos corredores da ala pediátrica sem ajuda de cadeira de rodas, apenas munida de máscara, devido à baixa imunidade.

Foram dias tranquilos pontuados por visitas mais do que desejadas. Pessoas e pessoinhas que fizeram a alegria da Bella, trazendo um colorido diferente ao quarto do hospital.

Depois da calmaria veio uma notícia inesperada: a combinação perigosa já experimentada do corticoide e do quimioterápico asparaginase. Uma bomba de dor explodiu no corpo inteiro, nos nervos à flor da pele aos ossos, sendo tratada com tramal e posteriormente aliviada somente com morfina.

A médica veio com a teoria de que a dor não deve ser mais um motivo de estresse. Na UTI Pediátrica há o Grupo da Dor, lá estaríamos bem assistidas tanto pelo médico plantonista quanto pela Equipe da Dor. Sanada a dor, veio a complicação da enterocolite (infecção intestinal).

No dia 28 de julho, a oncopediatra declarou:

  • Jejum absoluto de líquidos e sólidos durante tempo indeterminado. Nem um golinho de água? NÃO, foi o que ouvimos em alto e bom som. Soube depois que havia o risco de perfurar o intestino caso ela ingerisse alguma coisa, seja líquido ou sólido.
  • Suspensão dos quimioterápicos, corticoides e medicações via oral devido à baixa imunidade e/ou por dependerem de água para ingestão. A suspensão dos medicamentos significaria também atraso do tratamento.

Somente no terceiro dia de jejum (31/07) liberaram a nutrição parenteral, ou seja, endovenosa, para que a Bella pudesse se alimentar sem ingerir e ganhar peso.

As dores na barriga recomeçaram no dia 2, no dia 3 de agosto, as dores se intensificaram. Em caráter de emergência, descemos para fazer a tomografia com contraste para avaliar a enterocolite. Foram necessários 10 mg de morfina para aplacar a dor do exame e que mesmo assim demorou para fazer efeito. A suspeita era de que havia perfuração no intestino já que os leucócitos não tinham subido o suficiente para combater a infecção. Mais uma noite insone… No dia seguinte chegam o laudo do exame e o resultado do hemograma diário: para alívio de todos, as dores não eram de perfuração; e sim os leucócitos “brigando” contra a infecção.

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Links

Alguns links que podem auxiliar no processo de doação:

Ligue e saiba como doar: 0800 773-9973

Informações sobre doação de medula óssea
http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=64

bellapimenta

Olá, sou a Shirley, mãe da Isabella Chiemih Hiramatsu Pimenta, conhecida como Isa Chiemih, Bella Pimenta, Pimentinha, e por aí vai… Ela é estudante do 8° ano do Colégio Olimpo em Brasília e tem muitas histórias pra contar…

A batalha que trava contra a leucemia é uma delas. Já venceu e mapeou a doença uma vez… Sem dúvidas, vencerá desta vez também!

Em dezembro de 2012, foi diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda. Todos nós ficamos chocados com o resultado do mielograma; a Bella soube que havia algo errado ao ver nossas expressões faciais. Procurei as palavras certas para definir a doença, porque não queria usar o termo “câncer” por ser uma palavra que possui um estigma muito forte, quase uma sentença. E também, acho que ela não entenderia direito, acho que foi melhor assim.

E como é de praxe agradecer tudo que acontece, agradeço e ainda ouso dizer que ela…

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Olá, pessoas queridas!

Olá, sou a Shirley, mãe da Isabella Chiemih Hiramatsu Pimenta, conhecida como Isa Chiemih, Bella Pimenta, Pimentinha, e por aí vai… Ela é estudante do 8° ano do Colégio Olimpo em Brasília e tem muitas histórias pra contar…

A batalha que trava contra a leucemia é uma delas. Já venceu e mapeou a doença uma vez… Sem dúvidas, vencerá desta vez também!

Em dezembro de 2012, foi diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda. Todos nós ficamos chocados com o resultado do mielograma; a Bella soube que havia algo errado ao ver nossas expressões faciais. Procurei as palavras certas para definir a doença, porque não queria usar o termo “câncer” por ser uma palavra que possui um estigma muito forte, quase uma sentença. E também, acho que ela não entenderia direito, acho que foi melhor assim.

E como é de praxe agradecer tudo que acontece, agradeço e ainda ouso dizer que ela teve sorte; no sentido de ter sido assistida por profissionais competentes nessa trajetória:

A dra. Juliana França foi quem deu o diagnóstico, cuidou da Bella no primeiro mês e nos mandou para São Paulo para dar continuidade ao tratamento;

A dra. Ana Virgínia, da equipe do dr. Sérgio Petrilli, nos acolheu tão bem que inspirou confiança desde o primeiro momento;

As enfermeiras Vânia e Fátima do Grupo de Oncologia Pediátrica, que puncionavam o port a cath e cuidavam da medicação da Bella.

Com a participação dessas pessoas, a Bella sentiu que sair da zona de conforto nem sempre é traumático… Sair de Brasília pra morar em São Paulo, à primeira vista parecia uma loucura; distanciar dos amigos, da escola, da academia, da vida social, era um preço muito alto, mas em compensação, teria o garantido encontro com os primos nos fins de semana, comer os pastéis do Mercado Municipal, comprar bugigangas na rua Vinte e Cinco de Março, passear pelas ruas da Liberdade… se teria que pagar um preço alto; gozaria do bônus também…

Mas não foi bem assim, entre as quimioterapias e períodos de calmaria, tinham as intercorrências e baixa imunidade, o que inviabilizava o encontro com os primos, as idas ao cinema e shopping.

O tratamento durou 11 meses, entre quimioterapias, internações e transfusões de hemoderivados. Mas não foi só isso… também tivemos muitas risadas, tráfico de comidinhas, solidariedade e sobretudo Fé. E garra, e força, e vontade, e energia, e perseverança, e… surpresas!

Receber visitas de familiares e amigos sempre é um santo remédio… Expresso minha gratidão aos meus familiares que contribuíram para a melhora da Bella: seja emocional, gastronômica ou cultural; Tita, o quarteto Susy/Flávia/Masako/Sergio, Maria e Yassuo, Sumie, Marcelo, Marco e Mary, professor Sussumo e Vera, Bete, Newton Pons…

Receber amigos de Brasília que vieram visitar minha Bella, foi mais do que uma simples surpresa; foi um presente maravilhoso! Por causa do tratamento, ela teve que ficar todo esse tempo em SP, sem poder viajar. E então alguns amigos vieram visitá-la, por isso deixo registrada minha gratidão às pessoas que fizeram a diferença: à família Tegoshi e família Yamanaka que sempre nos apoiaram, Letícia, que passou dois dias dando um colorido diferente no fim de semana; à Carolinda e Edileusa que nos acompanharam no garimpo de bugigangas na 25 de março; ao Ferretti amigo sempre presente; ao Juniti amigo solícito e doador e ao Fábio que nos alegrava com seu jeito divertido.

E tem os amigos que não puderam nos visitar, mas que mandaram energias e vibrações positivas, orações, pensamentos de luz e as inúmeras cartinhas. Sou grata a todos que contribuíram para a melhora da Bella…

Voltamos para Brasília em dezembro de 2013, as amigas foram recepcioná-la no aeroporto. Foi emocionante saber o quanto ela é amada… Fechamos o ano de 2013 com festas, reencontros, muita alegria e sobretudo saúde restaurada!

Fim da primeira parte…